Durante décadas, retirar completamente as cutículas foi um hábito quase automático nas manicures brasileiras. O gesto, repetido semanalmente em salões e também em casa, tornou-se parte da cultura de cuidados com as unhas no país. Nos últimos anos, porém, especialistas têm chamado atenção para a função dessa fina camada de pele localizada na base das unhas: ela atua como uma barreira natural de proteção.
Quando removida com frequência, a região pode se tornar mais sensível e vulnerável a pequenos traumas. “A cutícula é tecido cutâneo e quando há retirada constante, ocorre uma agressão repetitiva, mesmo que leve”, explica Camila de Oliveira, farmacêutica da Epilê Cosméticos. “Com o tempo, isso pode alterar a elasticidade da região e estimular um crescimento mais rígido”, reforça a especialista.
Segundo Camila, antes de recorrer ao alicate, vale observar alguns sinais que indicam que a área pode estar pedindo hidratação regular, e não necessariamente remoção.
- Aspecto esbranquiçado e endurecido
Quando a região perde água, a pele tende a ficar opaca, rígida e menos flexível, o que pode até dificultar a esmaltação.
- Descamação frequente
Pequenas “pelinhas” ao redor das unhas são um indicativo comum de fragilidade da barreira cutânea.
- Pequenos machucados após a manicure
Microlesões recorrentes podem surgir quando a remoção é feita de forma frequente ou mais agressiva.
- Sensação de ardor ou sensibilidade
Desconforto na base da unha pode sinalizar que a região está sensibilizada e precisa de recuperação.
- Crescimento irregular ou mais espesso
Quando a pele é retirada repetidamente, o organismo pode reagir estimulando um crescimento mais rígido, como forma de defesa.
- Acabamento irregular nas unhas
Desníveis na borda da cutícula podem interferir na aplicação uniforme do esmalte.
- Necessidade constante de remover novamente
Se a retirada passa a fazer parte de um ciclo semanal obrigatório, é possível que falte um cuidado preventivo com a hidratação.
De acordo com Camila, a manutenção da flexibilidade da pele ao redor das unhas depende principalmente da hidratação frequente. “O Óleo de Rosa Mosqueta, por exemplo, é rico em ácidos graxos essenciais, que auxiliam na manutenção da barreira cutânea. Além disso, contém vitaminas com ação antioxidante que ajudam a melhorar o aspecto ressecado”, afirma a farmacêutica. Essas propriedades estão associadas à presença de ácidos graxos e vitaminas como A, C e E, que contribuem para hidratação, regeneração e proteção da pele.
No mercado, já existem opções desenvolvidas para aplicação localizada, como óleos em formato de caneta com pincel aplicador, que facilitam o uso ao longo do dia. A marca Epilê, do Laboratório Aclimação, por exemplo, oferece uma versão com óleo de rosa mosqueta 100% puro, aplicada diretamente na região das cutículas.
Mais do que a quantidade aplicada, o fator decisivo costuma ser a regularidade do cuidado. “Pequenas aplicações diárias tendem a manter a região mais maleável e hidratada, reduzindo a necessidade de remoção frequente”, finaliza Camila.

